Diário de Campanha das Aventuras em Valansia #12
Dia 25 do Florescer de Liena de 81 D.C.
Continuamos a exploração. Havia uma sala em que nós ainda não havíamos entrado logo à nossa frente, mas uma pilha de entulhos impossibilitava nossa passagem. Levamos um tempo para conseguir abrir um caminho, o que fez bastante barulho, mas por sorte não chamamos a atenção de nenhuma criatura da masmorra.
A sala se dividia em duas direções. À direita, no fim do corredor, Wolras encontrou uma jovem anã presa a uma corrente. Ela estava implorando por socorro e para ser resgatada, parecendo faminta e ferida. Mas o grupo suspeitou que era, na verdade, a súcubo disfarçada. E estavam certos.
Ao revelarmos que sabíamos seu nome, ela começou a rir e mostrou sua verdadeira forma. Ela encontra-se aprisionada em uma espécie de círculo de invocação há tanto tempo que nem ela sabe precisar mais. Tentou barganhar com o grupo, chegando a propor o assassinato de qualquer criatura que nós quiséssemos em troca de sua liberdade, ou mesmo revelar onde encontraríamos a chave do tesouro, mas o grupo achou melhor não tomar nenhuma decisão precipitada.
Deixamos a súcubo por hora e voltamos nossa atenção para o restante da sala. À esquerda, no final, havia um altar com uma adaga, alguns cálices de ouro e uma serpente de pedra. Pegamos tudo e decidimos passar pela sala do basilisco. No começo, fomos megacautelosos, usando o escudo metálico como fonte de reflexo para evitar sermos petrificados. Mas, quando vimos que o visor ainda estava abaixado, tomamos coragem e nos aproximamos dele.
Ele parecia um pouco desconfiado, mas, depois de darmos uma aranha e umas rações de viagem, pareceu se acalmar e até reconhecer alguns de nós pelo cheiro. Foi então que tiveram a ideia de soltá-lo. Assim que tiramos a coleira, algo caiu no chão emitindo um som metálico. Era uma chave!
O basilisco demorou a entender o que estava acontecendo, mas, após perceber que estava solto (algo que não ocorria sabe-se lá há quanto tempo), começou a correr pela tumba, todo animado. Brom foi rápido e conseguiu montar nele, até porque um basilisco não é um animal exatamente rápido.
Decidimos, então, testar a chave na sala do tesouro, e não é que era a chave certa mesmo? Abrimos a sala e Silvara rapidamente começou a juntar as moedas de ouro, mas um enxame de cobras explodiu de dentro da serpente mumificada que estava em cima do pedestal e a atacou. Por sorte, foi um combate rápido, com o basilisco "enchendo a barrica" de serpentes. Restou apenas transportar os dois baús lotados de tesouro para fora. Nunca vi tanto ouro e pedras preciosas na minha vida!
O grupo preferiu seguir viagem para a cidade hoje mesmo, apesar da hora tardia. Não quiseram correr o risco de perder tanto tesouro. Nos dirigimos para a vila a um passo mais lento, já que todas as nossas montarias estavam transportando uma carga pesada e preciosa. Sem contar que o Brom fez questão de ir montado no basilisco, e ele é bem mais lento do que qualquer um de nós.
Mas algo inesperado ocorreu. Quando estávamos mais ou menos na metade do caminho, uma matilha de cães imensos nos atacou. O grupo falou que são cães infernais, vindos diretamente dos círculos do inferno. E eram muitos: oito ao todo.
Corremos por nossas vidas. Não vi ao certo o que aconteceu; alguns pularam num riacho que havia próximo, outros só correram, e parece que o basilisco resolveu atacar os cães. Conseguimos nos salvar e nos reagrupar. Isto é, todos menos o Drusmut e o basilisco. Eles não sobreviveram.
Chegamos à Vila Auroque com um grupo menor do que o que havia saído, exaustos e com a noite já avançada. Mas chegamos.