Diário de Campanha das Aventuras em Valansia #14

Dia 26 do mês sexto do ano de 81 D.C.

Acordamos cedo para aproveitar o dia. O plano era encontrar Silvara, que passou a noite na casa de seu antigo mentor, e depois ir direto para o Bosque dos Druidas. Queríamos tentar encontrar alguém para quem pudéssemos repassar as tristes notícias do falecimento de Drão.

A cabana do antigo mestre de Silvara, um elfo chamado Kaelmir, fica bem isolada da cidade, exatamente onde a mata tem início. Só que, pelos relatos dela, ele partiu em uma jornada antes de nossa chegada, então não chegamos a conhecê-lo.

De qualquer forma, com o grupo completo, seguimos viagem para dentro do bosque. Nossa aposta era de que os druidas, ou aqueles guardiões da Liga Alva, fossem nos encontrar rapidamente. E de fato aconteceu; seria até difícil não nos localizar depois que Eustáquio começou a berrar.

Ramiel brotou da vegetação ao nosso redor. Foi impressionante; a sensação era de que ele estava bem ao nosso lado o tempo todo, mas ninguém havia reparado. Ele estava presente na Estalagem da Maré Alta ontem, tendo até trocado algumas palavras com Garruk, e demonstrava um pressentimento de que nós entraríamos na mata para tentar achar o tal buraco no carvalho.

Silvara mencionou Drão e disse que tinha notícias. Ramiel, então, mandou outro patrulheiro que estava próximo buscar um dos druidas para conversarmos. Um amigo de Drão, chamado Ralph Woad, veio até nós. Foi triste repassar a notícia, mas, ao mesmo tempo, sinto que ele vê esse tipo de fatalidade como parte do ciclo da natureza. Prestamos nossas condolências, entregamos alguns restos de pertences que tínhamos de Drão e seguimos nosso caminho. Ramiel fez questão de nos guiar até o carvalho. Melhor assim, pois é difícil se localizar em matas tão fechadas.

No caminho, deparamo-nos com um grupo de falcões que tinha um ninho no topo de uma árvore próxima. Por sorte, tanto Garruk quanto Ramiel os avistaram antes de nos aproximarmos demais, e as aves não se sentiram ameaçadas por nós. Contornamos a árvore e continuamos floresta adentro.

Até que chegamos. Uma clareira com um gigantesco carvalho no centro. Parece algo saído de uma lenda; alguma coisa na atmosfera do lugar faz até parecer que o tempo passa diferente por lá, como um cenário cheio de magia.

Ramiel aproveitou para nos contar um pouco do que sabia sobre a região. Ele falou que, há muito tempo, um culto de homens-lagarto e outros répteis utilizou a masmorra lá embaixo como local de adoração a alguma divindade deles, o que gerou um conflito entre esse culto, o círculo druídico do bosque e a Liga Alva. Várias batalhas foram travadas, e a liga forjou três espadas mágicas para ajudar na guerra. Na última dessas batalhas, um dos campeões da Liga Alva (Jorg, o Profanador) venceu o culto utilizando uma dessas lâminas, mas a vitória custou sua vida, já que foi ferido mortalmente. As lendas contam que ele está sepultado em algum lugar lá embaixo. Contudo, Ramiel também explicou que a masmorra virou um tabu para seu povo, razão pela qual eles não entram lá desde então. Ele até nos pediu para verificar se de fato Jorg se encontra lá e, caso achemos a espada que ele portava, para devolvê-la, evitando que caia em mãos erradas.

Procuramos em meio às raízes do carvalho e achamos a entrada: um pequeno buraco com cerca de 90 centímetros de altura. Decidiram que eu ficaria para trás junto com os cavalos e os cães enquanto o resto do grupo descia pelo buraco.

Lá embaixo, eles chegaram a um túnel escuro, com o chão meio areioso. Mal posso esperar para registrar o que virá a seguir.